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Último respiro

Antes que minhas vistas escureçam, talvez;
Antes que a última lembrança seja condensada pela valsa-química cerebral, talvez;
Antes de sentirem minha falta, talvez;
Esteja lúcido para lhe dizer o quão bem vivi.

Antes, talvez, que seja tarde;
escrevo a vós filhos do amoníaco e alcaloides,
que vivi o quão são que pude, vê-los,
cada olhar, cada universo de segredos.

Antes, que a última nota arrebente minha lucidez,
que a amargura aflija minhas notas alveólicas
que minha carne seja sepultada nesta terra vérmica.

Sinapses mórbidas e doloridas, por saber
que nunca muda, nada muda e não mudarás
no pretérito perfeito de suas vulgaridades

de vossa essência, meu único amigo, eu.



Comentários

Escolhidas pelos leitores

Cântico vulgar

Bem mais alto que todas minhas expectativas,
nu estaria em busca de um sentido!
No alto daquela torre,
nos caminhos rente ao mar.
Nos dias de lamentações,
no escuro de um quarto vulgar,
nu estaria em busca de um sentido.

As primeiras notas, sensações taciturnas.
notas carveólicas, frívolas  e irritantes
daquele que nunca foi ou será!


Cynar

Quando desço, padeço, pereço!
Quando leio, esqueço o começo,
sem Cynar...

Quando desço, sento: emudeço!
Tramposeio o beiral da insensatez
dos que buscam a razão, sem ração!

Sem bordeio, sem segredo, sem rodeio: pereço!

Nas rimas imundas apregoadas na cortina do córtex,
na amalgama mistura de sinapses cerebrais,
transcendo-me na penumbra orbicular do absurdo... 



Prasãda

Consciência d'alma,
tu és o que és
como grandes amigos

Imagens sacras e seculares no divã
não sou minha mente,
não sou meu pensamento.

Prasãda de quimeras indomáveis
Passagem para um mundo indubitável
Estarei junto a ti aqui e ali

Como posso junto a ti, em ti?
Como posso junto a si, em si?
Como posso junto a vos, em vos?




Três vezes

Tábua da esmeralda cintilar epopeia, Caldeu
No pântano imundo dos que perecem em ti, ó Thoth
Três vezes grande, três vezes!

Na antro, no canto, no santo!
Comigo, contigo e com todos nós!
Três vezes grande, três vezes.

No livro dos mortos,
Interoperar contínuo entre todos os fractais
cintilante experiência, vivência!

Três vezes grande, três vezes!




Retambana de pesares

A direita, corrupção
A esquerda, socrócios
Ao centro, negócios

Retambana de pesares

No bairro, sequestro
Na fila, tambores
Na Câmara, favores

Retambana de pesares

Conservadores, paspalhos,
Progressistas, otários
Bonafacistas, cansados

Retambana de pesares

Comunismo, continuísmo
Capitalismo, senhores
Anarquismo, sem cores

Retambana de pesares.

Se há negócios, socrócios, corrupção,
Pedidos, favores, cabrestos e senhores
Se na taba, não há mais nada.

Retambana de pesares

Brasília

A vida pulsa,
No congresso ou em seus palácios,
Na estação, o cordel encantado,
emaranhado de rostos, brasileirice de etnias!

Do perfume da culinária raiz,
do artesanato de resistência,
das gemas reluzente
e do sangue de vossa gente!

De suas avenidas longas, sem calçadas,
De seu concreto imponente, sem gente,
De seus jardins suspensos, sem grito!

Status quo de nossa vergonha,
escondidos famintos, miseráveis, desgraçados,
resilientes residentes!

-Que o governo dê um jeito!

Dorme, este, em mais um domingo,
em berço esplendido.
Enfeitiçado por seu próprio retrato,
na fina lamina de seus lagos,
esculpidos em carrara, Brasília!






Caminheiro

Sentimento taciturno,
absurdamente cítrico,
algazarra midiática,
contumaz e perniciosa!

Caminhando pelos vales de gramíneas,
angiospérmicas relvas verdejantes.
dísticas e alongadas esperanças.

Se tu não foi, não irá;
se irá, não voltarás,
pelo riacho de novidades
nas águas reusadas e inéditas.

Caminhando pelo vales da sombras;
Caminhando pelos vales dos lírios;
Caminhando sobre espécies invasoras;
caminhando inodoramente!


Caminho

Não há literatura sagrada,
Não há modelo perfeito,
Não há, não há, não há.

Não sabes a perfeição, temporariamente;
causal caminho para alma.
Não há, não há, não há.

Você é o caminho
o único caminho
cansado, sonâmbulo, sobrinho.


Insatisfação desejante

Amor é desejo, eros.
Desejo é a falta.
A inclinação do homem para o que ele não tem.

Amar é desejar,
desejar é não ter!
Equação macabra!

Ou desejas o que não tem
Ou quando tens o que deseja,
não o desejas mais.

Amor pelo trabalho, no desemprego.
Amor pelo dinheiro, na pobreza.
Amor pela paz, na guerra!

Todos desejantes,
inferência imediata.
Guiados pela insatisfação,
desejante!

Matéria-prima da politica,
gestão do desejo.
Busca da redução interrupta da ausência

Se fosse a gestão da satisfação,
cogitaríamos solução de convivência boa,
de uma vez por todas.

Não buscaríamos, mais nada.
Conservação do status quo de satisfação.
Uma utopia, ilusão!

Todo desejo satisfeito é extinto.
Ocupado por um novo,
desejo!



Exortação

Aos bons homens, inspirados por
Almeida Garret a Andrada e Silva
José do Patrocínio e Princesa Isabel

Aos homens de Ítaca
assistem, sem escrúpulos,
homens que enriquecem
em detrimento a cousa pública
sindicatos, lojas, órfãos da moral

Que misturam retidão a amantes
direito social a apadrinhamento de confrades

Doutores enfadonhos milionários
a margem da lei, da moralidade, da ética
dos interesses mesquinhos,
partidários, eleitorescos e sindicais.

De estágios com paternidade,
de comissionados, sem capacidade.
de diretores, sem dignidade.
supersalários a abastados...

A Gregório de Matos, concordo,
o que falta é vergonha!
Aos opositores, moral.
Aos paladinos das regras, capacidade.

As amantes que contenham os falastrões.
Abaixo-assinados manchados pela desonra
A massa-manobra, o fardo
gado, gadu, grosserias!