Último respiro

Antes que minhas vistas escureçam, talvez;
Antes que a última lembrança seja condensada pela valsa-química cerebral, talvez;
Antes de sentirem minha falta, talvez;
Esteja lúcido para lhe dizer o quão bem vivi.

Antes, talvez, que seja tarde;
escrevo a vós filhos do amoníaco e alcaloides,
que vivi o quão são que pude, vê-los,
cada olhar, cada universo de segredos.

Antes, que a última nota arrebente minha lucidez,
que a amargura aflija minhas notas alveólicas
que minha carne seja sepultada nesta terra vérmica.

Sinapses mórbidas e doloridas, por saber
que nunca muda, nada muda e não mudarás
no pretérito perfeito de suas vulgaridades

de vossa essência, meu único amigo, eu.



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