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Mostrando postagens de Junho, 2019

Incubus

Deixe-me, íncubos e súcubos; vampiros de noites de tormenta, alimentando-se de espessos fluídos
Vermes paspalhos, rabugentos em covis Vontade consciente escrita, nas puras águas, em letras de fogo, pelo Sol da Alma
Íntima Divindade, sem nada inútil, sem nada inarmônico…
Entregue-se completamente ao ato de amor Cessa-se o conhecimento
Seja senão a Vontade.


Reconciliação imperial

Enquanto a reconciliação, não reconciliar A leal história real não se disseminar, viveremos como flagelos neste oásis
Bonafacistas, erguei-vos Unir-vos  promoveis a reconciliação nacional
A nação, ao império, ao futuro que resplandece




YHWH

Inominável, YHWH Permita-me conceber, por meio de sua dádiva, aos paraísos dos nove céus
יהוה, inominável, admito minha ignorância, aos seus pés contemplo sua magnitude
Espera-me, meu retorno, viagem breve e serena Para casa junto a ti
Que nos dias turvos e felizes, irradiarei tua formosura, tua inigualável cintilância
Em ti, confiante e feliz.

A Sala

Todas pessoas já se foram o vazio impregna minha alma Os sussurros e reclamações aquietam-se E os risos, viajam pelo vazio do vácuo
Todos aqueles momentos vividos, já foram dissipados, dissipando-se As lágrimas, enxutas, enxugando-as As inconformidades, esquecidas
A solidão preenche o vazio d'alma, as lembranças esquecidas nos emaranhados de conexões neurais
que ocupam o vazio desta sala.

Retorno a Pasárgada

Se ela fosse quenga, na cama que sempre sonhei, retornaria a Pasárgada após a morte do rei.
Em Mazagão deixaria vidas anteriores e amores que nunca terei, após a morte do rei.
Tifos e xisto, na ânsia pela lança dormiria na cama que nunca me deitei
Retornaria a Pasárgada, pois lá ajudaria a depor Alexandre, o grande rei!


Psicologia dos alcaloides

Eu, filho de alcaloide demoníaco, Pelejo pelos dias com relutância surfando vícios da minha ignorância a influência da Cabala e do zodíaco
Esplendoroso monstro da cafeína, Da nicotina, meu prazer, minha ânsia Hipocondriacamente desde minha infância
Brancos sólidos de óxidos e formol, Daltons de anestésicos, analgésicos e neurodepressores. Psicoestimulantes da psicologia dos opressores, Formam e confabulam santos-benzóis
Carnificina do esplendor Rompe tendões com tanto clamor O verme da minha podridão perpétua...


Tarsila e Pagu

As musas que cerceiam,
as aves que gorjeiam... Se Tarsila e Pagu iam, versos crus que venciam!
Se soubesse soturna pantera, essa solidão que assevera No leito morte se assemelha, a eternização desta centelha
Em cada sílaba que entoa, separatistas sobrevoam, os lindos lagos da Pampulha
Renego e relembro da peleja, quando sonhamos inacabados tratos
Salve, salve belas damas!




Espero-te

Há algo que nos liga Seja sua vã cultura Tua religião mundana, ou sua moral "crtl c", "crtl v"
Presos, estamos, pelo fio de prata em multiversos doces e violentos Vivenciando medos e esperanças
Massa amálgama de gritos e risos, milhões de súplicas e esperanças Letras e notas amarrotadas
Espero-te em cima dos muros, deste oceano de coincidências, atropelos e desencontros.




Buddhyahaṅkāra

Plenitude, não sou mente, nem liberdade, nem razão Minha natureza é consciência, não sou ego e não tenho memória Não sou apegado, nem condicionado, nem tenho paladar, Nem olfato, nem visão. Não sou espaço, nem terra
Não sou fogo, nem ar, pois permeio o existente Minha natureza é consciência, permeio o existente  Estou conectado com os sentidos, não sou prāna
Nem os cinco alentos, livre de pensamentos Livre de estrutura e forma, nem os sete elementos do corpo físico Nem os cinco kośas, nem mestre, nem discípulos Não sou fala, nem mãos ou pés, não tenho parentes, nem amigos 
Não nasci, não tenho sexo, nem eliminação Não tenho pai, nem mãe, não tenho apego, nem aversão; Nem ambição, nem ilusão, não tenho classe social; Não sou morte, nem medo; orgulho e inveja não são meus
Não tenho deveres, nem o desfrutador, nem busco a libertação Nem alegria, nem sofrimento, não sou virtude, nem ação errônea Nem escrituras, nem rituais; nem mantras, nem lugares sagrados
Nem o desfrutador. Não sou prazer, nem o que este…

Vaticinium ex eventu

Possuído estava por uma espécie de glossolalia docetistas ateus, Cavaleiros Templários errantes! Shalshelet entoado pelo Rabi Eliyahu, o Gaon de Vilna HaShevii da prévia "vaticinium ex eventu".
Como uma ilusão tocava teus flancos, ilusão ótica da pele cintilante e arredia. Pedia-me o que não tinha, nem um cento, Oferecia-me uma cadeira no justo-altíssimo
Ao monte de Vênus o aroma delirante, Vishnu-oferenda errante e serena Onomatopeia sinfônica sagrada
Descia ao fálico-querer Enquanto agradecia sem pudor
O que ali estava por acontecer...


Carta a Malburgo

Ceifou vidas inteiras o tal vírus de Malburgo, Naquele simplório burgo, tempo antes, Hans Staden revelou Que pras bandas da França Antártica, Cunhambebe condenou Luso-alemão prisioneiro, carne fresca empapuçou...
João Ramalho, branco-tamoio, a buriquioca chegou Numa aliança luso-tupi contra tupinambás deflagrou Em Uwatibi, nem Thevet algum dia pensou, que seria naquela praia o fim de um grande pudor
Se ordem e progresso seu povo ceifou, de esperança o regresso do mártir a qual exilou Hoje crescem as crianças sem saber o que se dera
Crescem, nem sabendo, a rixa histórica que se dera entre paulistas e os da guabanara, o nascimento carioca,
incendiando curumins de antes e do que viera.


A cerca

Mourões mouros da cerca que parada está, acerca de seu reino, em queda livre…
Há cerca de duzentos anos ressurgirá, a cerca de Paraisópolis, Macunaíma!
A cerca que aprisiona flagelos, Acerca de espasmos ignorantes, Há cerca de ciclos infinitos de Poder, A cerca de uma terra tupi defenestradas.
Por fim, a cerca, acerca de todos,
há cerca de 519 anos...