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Lápide do finito

De mãos dadas, eu espero o fim.
Fim que será um novo começo.
Começo de um novo fim!

Brumas e espantos á toa.
você constrói seu infinito.
No dia, mais que dia,
que num instante, luz que vicia,
se transformará em prantos e levará seus encantos.

Você não sabe,
cantarás as reprises destes cantos.
Vivendo sem saber,
que tudo, afinal,
é para sempre.


(ARCHANGELO, A. Ápeiron, Ed. Buriti, 2019)


Comentários

Escolhidas pelos leitores

Cynar

Quando desço, padeço, pereço!
Quando leio, esqueço o começo,
sem Cynar...

Quando desço, sento: emudeço!
Tramposeio o beiral da insensatez
dos que buscam a razão, sem ração!

Sem bordeio, sem segredo, sem rodeio: pereço!

Nas rimas imundas apregoadas na cortina do córtex,
na amalgama mistura de sinapses cerebrais,
transcendo-me na penumbra orbicular do absurdo... 



Prasãda

Consciência d'alma,
tu és o que és
como grandes amigos

Imagens sacras e seculares no divã
não sou minha mente,
não sou meu pensamento.

Prasãda de quimeras indomáveis
Passagem para um mundo indubitável
Estarei junto a ti aqui e ali

Como posso junto a ti, em ti?
Como posso junto a si, em si?
Como posso junto a vos, em vos?




Cântico vulgar

Bem mais alto que todas minhas expectativas,
nu estaria em busca de um sentido!
No alto daquela torre,
nos caminhos rente ao mar.
Nos dias de lamentações,
no escuro de um quarto vulgar,
nu estaria em busca de um sentido.

As primeiras notas, sensações taciturnas.
notas carveólicas, frívolas  e irritantes
daquele que nunca foi ou será!


Caminheiro

Sentimento taciturno,
absurdamente cítrico,
algazarra midiática,
contumaz e perniciosa!

Caminhando pelos vales de gramíneas,
angiospérmicas relvas verdejantes.
dísticas e alongadas esperanças.

Se tu não foi, não irá;
se irá, não voltarás,
pelo riacho de novidades
nas águas reusadas e inéditas.

Caminhando pelo vales da sombras;
Caminhando pelos vales dos lírios;
Caminhando sobre espécies invasoras;
caminhando inodoramente!


Três vezes

Tábua da esmeralda cintilar epopeia, Caldeu
No pântano imundo dos que perecem em ti, ó Thoth
Três vezes grande, três vezes!

Na antro, no canto, no santo!
Comigo, contigo e com todos nós!
Três vezes grande, três vezes.

No livro dos mortos,
Interoperar contínuo entre todos os fractais
cintilante experiência, vivência!

Três vezes grande, três vezes!




Retambana de pesares

A direita, corrupção
A esquerda, socrócios
Ao centro, negócios

Retambana de pesares

No bairro, sequestro
Na fila, tambores
Na Câmara, favores

Retambana de pesares

Conservadores, paspalhos,
Progressistas, otários
Bonafacistas, cansados

Retambana de pesares

Comunismo, continuísmo
Capitalismo, senhores
Anarquismo, sem cores

Retambana de pesares.

Se há negócios, socrócios, corrupção,
Pedidos, favores, cabrestos e senhores
Se na taba, não há mais nada.

Retambana de pesares

Canção do Exílio a Dom Bertrand

Minha terra tem florestas, Onde canta o maraca Os corvos que aqui cacarejam Nem sequer sabem como é lá...
Nosso chão tem mais afouteza, Nossas matas mais fomento Nosso bosques tem mais vida Choram os chamadores, voi a la!
Em cismar, sozinho, à noite Entreguistas, eu encontro-lá Na minha terra tem florestas, mais que o dobro, do que cá!
Em cismar, os entreguistas, em Açores. Mais passarinhos, eu encontro lá; Minha terra tem florestas, Onde cantas, sem charabiá!
Não permita Deus os cabeçorras, Incendeiem mentes ocas por lá, Sem que desfrutem da verdade Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as florestas, Onde um dia andou Tibiriçá


(Homenagem a Gonçalves Dias)


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Reino Unido

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França

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Espanha

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Itália

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Brasil

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Capa Comum

Brasília

A vida pulsa,
No congresso ou em seus palácios,
Na estação, o cordel encantado,
emaranhado de rostos, brasileirice de etnias!

Do perfume da culinária raiz,
do artesanato de resistência,
das gemas reluzente
e do sangue de vossa gente!

De suas avenidas longas, sem calçadas,
De seu concreto imponente, sem gente,
De seus jardins suspensos, sem grito!

Status quo de nossa vergonha,
escondidos famintos, miseráveis, desgraçados,
resilientes residentes!

-Que o governo dê um jeito!

Dorme, este, em mais um domingo,
em berço esplendido.
Enfeitiçado por seu próprio retrato,
na fina lamina de seus lagos,
esculpidos em carrara, Brasília!






Último respiro

Antes que minhas vistas escureçam, talvez; Antes que a última lembrança seja condensada pela valsa-química cerebral, talvez; Antes de sentirem minha falta, talvez; Esteja lúcido para lhe dizer o quão bem vivi.
Antes, talvez, que seja tarde; escrevo a vós filhos do amoníaco e alcaloides, que vivi o quão são que pude, vê-los, cada olhar, cada universo de segredos.
Antes, que a última nota arrebente minha lucidez, que a amargura aflija minhas notas alveólicas que minha carne seja sepultada nesta terra vérmica.
Sinapses mórbidas e doloridas, por saber que nunca muda, nada muda e não mudarás no pretérito perfeito de suas vulgaridades
de vossa essência, meu único amigo, eu.