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Mostrando postagens de Março, 2010

Dopamina

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Na exatidão de tuas mágoas,
o lento orvalho esclarece,
Para te deixar alegre, esmaece...

Na noite que já desce,
o que será dessas pelejas?
Teu olhar triunfante junto ao meu...

A mesma ilusão,
seremos iguais, a todos,
nada além da natureza animal...

Do instinto, do que sinto,
feniletilamina, dopamina,
endorfina, e ocitocina?


Para que dizer "eu te amo"?

(ARCHANGELO, A. Ápeiron, Ed. Buriti, 2019)


O fingir do amor

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Posso fingir? Devo!
Mas e quando olhar?

Agora vivo nos planaltos imundos,
entre a moralidade e a racionalidade.
Porém, teu olhar me amolece, desconcentra...

Um simples ateu, um pagão e cristão,
Vivendo meu pranto, sem encantos.

E nas vestes de um novo santo.
adentro minha alma.
Sofro por não poder, jamais, 
sentir e fingir o porque a alma pena.


(ARCHANGELO, A. Ápeiron, Ed. Buriti, 2019)


Iscariotes

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Tudo bem?
Voltarei outro dia.
Talvez daqui um mês.

O tempo?
Não existe!
É fetiche, é traição,
Iscariotes!

Calma, levo-te,
levanto-te daqui um ano.
Talvez para sempre.

O tempo?
Não existe!
É fetiche, é traição.
Afrodite!

Leva-me embora carbono,
Lavo-me nas tuas chagas.
As que calam e consentem


(ARCHANGELO, A. Ápeiron, Ed. Buriti, 2019)


Evangelho poético

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Treme sobre o pó do Evangelho,
a hora marcada, a hora final!
Adeus conservadores anarquistas; 
Semblantes de ideologias banais.

Agora tua metamorfose será a última chance.
Verme, um falso clone de grandes mestres:
Vinicius, Oswald, Bandeira, Drummond, Camões?
Muda-te para sobreviver nesse inferno terrestre!


Esclerótica Côncava

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Calma, aprenda a sentir os anis anestésicos.
Licorosos e espumantes pensamentos, Orpheu!
Nega-te! Negue sua ilusória existência!

Fingirá, então, a dialética demagógica, além do Olimpo.
Pois remará em remansos, morrerá no Aqueronte em prantos!
E ficará pasmo ao tocar sem nenhum tipo de encanto,

A inédita reprise desse canto!


(ARCHANGELO, A. Ápeiron, Ed. Buriti, 2019)