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Mostrando postagens de Novembro, 2009

Soneto da vontade dele

De repente do contínuo pranto, o verdadeiro riso.
Da espuma raivosa, silenciosa e branca como a bruma.
As bocas amantes e adversárias se uniram sem farruma
Do espanto as mãos espalmadas, sem nenhuma sobreaviso

Do vento, de repente e fugaz calmaria, desfrizo.
Última chama que dos olhos se esquivava e escarruma.
Se refez, o pressentimento afogado ressurgiu com soruma.
Do drama pairou o imóvel momento com odor elicriso.


De repente, não mais que de repente.
Da tristeza se fez o ardor amante.
E de contente o que se fazia sozinho.

De perto fez-se amigo o que era distante
De uma vida aventureira ordeira e errante,
De repente, não mais que de repente, um nózinho.



(ARCHANGELO, A. Ápeiron, Ed. Buriti, 2019)


https://www.poesiasnonsense.com/2009/11/soneto-da-vontade-dele.html



(ARCHANGELO, A. Ápeiron, Ed. Buriti, 2019)




Só.
Depois da chuva
Somente...

Amalgamado em repúdio retratos,
juntos trapo por trapo.
Escondendo de todos,
aquele antigo retrato

Você sorria?
Dia-a dia
Todos os dias que não foram dias

Caminhávamos...
Mas, para qual local?

Andarilho de um canto só, 
viveras a vida pra cantarolar
As mesmas lembranças,
que habitam aquela velha rede.

Olhos lavados de lágrimas,
orvalham um peito que já fora seu!
Ordenhe o presente,
Cala-te o futuro!

(ARCHANGELO, A. Ápeiron, Ed. Buriti, 2019)


Jaz

Fecho a porta,
Sigo o mesmo corredor.
Em outra direção,
como não perceber,
queles velhos quadros empoeirados?

Esqueço a antiga poltrona?
costumávamos ouvir velhas histórias ali...
Doce e amarga lembrança!

O relógio, conta um minuto a menos,
mas não posso voltar no tempo.
Sinto, ouço e escuto tuas palavras,
nunca mais....

Ainda lembro do timbre de tua voz,
ecoando sobre os pisos úmidos,
Pedindo-me atenção,
 - um pouco mais de atenção!

Eu deveria ter ficado mais com você,
no final daquela tarde,
estava com pressa,
poderia estar sentado ao seu lado...

E ter contado a você tudo o que sentia,
dia-a-dia fui me distanciando,
esquecendo, todos os momentos,
que passou ao meu lado.

Nos primeiros dias,
Tu foi embora,
chorei naquele dia!

Alardeei a todos quanto te odiava,
queria atenção,
sentir seu abraço,
o afago e a atenção.

Carregarei o peso, até o fim dos meus dias,
Mas lembrarei-me para sempre,
do teu caminhar,
do teu riso,
Do teu jeito de falar,

Eu sei,
você sempre amou-me.
Nunca tive cora…

Na estante

Costumava estar fora de si,
não é assim como todos se sentem em relação a vida, seguir a correnteza e contar com a sorte?.
Mas já não há tempo! Ao levar as coisas desta maneira, percebi, naquela noite,  o quanto tolo fui por todos estes anos...
Preso a correntes, que aprisionam a todos. Não tenho medo da morte, mas existe alguma meta, neste momento?
Posso pegar sua mão? Quando você precisar, estarei em sua estante, na reserva.
Posso ouvir suas mentiras e te confortar... Também menti por um longo tempo, mas este tempo ficou para trás.
Leve um dia atrás do outro, e não conte com a sorte. Estamos todos no mesmo barco.
Racistas, religiosos, todos! Estenda tua mão,
e não conte com a sorte.
(ARCHANGELO, A. Ápeiron, Ed. Buriti, 2019)