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Carta a Ulysses

É senhor Ulysses a coisa por aqui anda feia, 
Na terra que te gerou, os jargões se multiplicam,
As promessas se repetem, 
A esfera pública se afunda em cova profunda, 
Momo lembrou-me o ex-prefeito:
 - A máquina está falida.

A tal democracia, deu liberdade 
para que os espertalhões facultassem a escola da malandragem 
E misturassem a figura de “homem público” com a de “homem de interesses”.

Sei que quando estava entre nós, esta profissão já estava manchada, 
Porém estamos no apogeu, no “século de palhaçada”, 
Se compararmos ao glorioso século de Péricles!

Nem mesmos os próprios vereadores confiam
Em si à tarefa de poder melhorar as condições que transformam 
O mundo numa caixinha de “Big Mac”, descartada em qualquer lugar.

Não me considera-i um pessimista, 
Sou muito pior que eles, 
Inserido no grupo daqueles que se escondem na vergonha de compartilhar 
Toda esta situação e permanecer com os braços atados, a tal disfunção narcotizante.

Atualmente, os vereadores gozam tão somente do prestigio corporativo. 
Prova disso é a falta de prestigio e respeito que grande parte da população por eles mantém. 
Acredito que nem como figurinhas auto-adesivas, estes entes públicos teriam alguma função.

Acusados de se sustentarem com dinheiro público, 
pelo trabalho forrado de regalias e liberdades, 
cicatrizados como entes passivos em esquemas de desvio de dinheiro público, 
Os nobres edis, já não possuem importância, são descartáveis...
Nas ruas, os transeuntes ao serem indagados sobre a importância da Câmara Municipal respondem: 
- Políticos não servem pra nada, apenas para roubar.

A máxima é unânime. 
Outros, mais otimistas, lembram que vereadores ajudam muito:
Imprimem currículos, doam botijão de gás, remédios, receitas, consultas ou encaminhamentos médicos, transporte para viagens, cesta básica, roupas e afins.
-Ele precisa me dar alguma coisa, pois votei nele!

Senhor Diretas, as lendas de casos de corrupção, 
Já se espalham com a velocidade da internet, vídeos são postados, charges são criadas
A cada esquina 
A cada grupo de amigo, 
As histórias que mancham a cidade se espalham.
Recentemente, até mesmo os paralelepípedos, 
Que com certeza o Senhor por eles passou, algum dia, 
Foram utilizados como moeda de troca em barganha política.

Outros casos ainda revivem, como a troca milionária do telhado, 
Encaixe em concurso público, vereador que pega metade de salário de assessora. ..

E neste circulo vicioso, de aparência e ternura, termino esta carta póstuma.
Dizendo que não mais acreditarei nos princípios que fizeram meus olhos abrirem
E que no prefácio da Constituição, a qual o Senhor foi um pai, 
Entoaram-se as palavras que para mim definiriam a ausência de valores neste momento tão infeliz.
Por fim, termino dizendo que começo a acreditar que Bakunin, 
Poderia estar sóbrio quando teceu considerações sobre um modelo representativo por si só. 

Comentários

Escolhidas pelos leitores

Cântico vulgar

Bem mais alto que todas minhas expectativas,
nu estaria em busca de um sentido!
No alto daquela torre,
nos caminhos rente ao mar.
Nos dias de lamentações,
no escuro de um quarto vulgar,
nu estaria em busca de um sentido.

As primeiras notas, sensações taciturnas.
notas carveólicas, frívolas  e irritantes
daquele que nunca foi ou será!


Cynar

Quando desço, padeço, pereço!
Quando leio, esqueço o começo,
sem Cynar...

Quando desço, sento: emudeço!
Tramposeio o beiral da insensatez
dos que buscam a razão, sem ração!

Sem bordeio, sem segredo, sem rodeio: pereço!

Nas rimas imundas apregoadas na cortina do córtex,
na amalgama mistura de sinapses cerebrais,
transcendo-me na penumbra orbicular do absurdo... 



Brasília

A vida pulsa,
No congresso ou em seus palácios,
Na estação, o cordel encantado,
emaranhado de rostos, brasileirice de etnias!

Do perfume da culinária raiz,
do artesanato de resistência,
das gemas reluzente
e do sangue de vossa gente!

De suas avenidas longas, sem calçadas,
De seu concreto imponente, sem gente,
De seus jardins suspensos, sem grito!

Status quo de nossa vergonha,
escondidos famintos, miseráveis, desgraçados,
resilientes residentes!

-Que o governo dê um jeito!

Dorme, este, em mais um domingo,
em berço esplendido.
Enfeitiçado por seu próprio retrato,
na fina lamina de seus lagos,
esculpidos em carrara, Brasília!






Prasãda

Consciência d'alma,
tu és o que és
como grandes amigos

Imagens sacras e seculares no divã
não sou minha mente,
não sou meu pensamento.

Prasãda de quimeras indomáveis
Passagem para um mundo indubitável
Estarei junto a ti aqui e ali

Como posso junto a ti, em ti?
Como posso junto a si, em si?
Como posso junto a vos, em vos?




Três vezes

Tábua da esmeralda cintilar epopeia, Caldeu
No pântano imundo dos que perecem em ti, ó Thoth
Três vezes grande, três vezes!

Na antro, no canto, no santo!
Comigo, contigo e com todos nós!
Três vezes grande, três vezes.

No livro dos mortos,
Interoperar contínuo entre todos os fractais
cintilante experiência, vivência!

Três vezes grande, três vezes!




Retambana de pesares

A direita, corrupção
A esquerda, socrócios
Ao centro, negócios

Retambana de pesares

No bairro, sequestro
Na fila, tambores
Na Câmara, favores

Retambana de pesares

Conservadores, paspalhos,
Progressistas, otários
Bonafacistas, cansados

Retambana de pesares

Comunismo, continuísmo
Capitalismo, senhores
Anarquismo, sem cores

Retambana de pesares.

Se há negócios, socrócios, corrupção,
Pedidos, favores, cabrestos e senhores
Se na taba, não há mais nada.

Retambana de pesares

Caminheiro

Sentimento taciturno,
absurdamente cítrico,
algazarra midiática,
contumaz e perniciosa!

Caminhando pelos vales de gramíneas,
angiospérmicas relvas verdejantes.
dísticas e alongadas esperanças.

Se tu não foi, não irá;
se irá, não voltarás,
pelo riacho de novidades
nas águas reusadas e inéditas.

Caminhando pelo vales da sombras;
Caminhando pelos vales dos lírios;
Caminhando sobre espécies invasoras;
caminhando inodoramente!


Caminho

Não há literatura sagrada,
Não há modelo perfeito,
Não há, não há, não há.

Não sabes a perfeição, temporariamente;
causal caminho para alma.
Não há, não há, não há.

Você é o caminho
o único caminho
cansado, sonâmbulo, sobrinho.


Insatisfação desejante

Amor é desejo, eros.
Desejo é a falta.
A inclinação do homem para o que ele não tem.

Amar é desejar,
desejar é não ter!
Equação macabra!

Ou desejas o que não tem
Ou quando tens o que deseja,
não o desejas mais.

Amor pelo trabalho, no desemprego.
Amor pelo dinheiro, na pobreza.
Amor pela paz, na guerra!

Todos desejantes,
inferência imediata.
Guiados pela insatisfação,
desejante!

Matéria-prima da politica,
gestão do desejo.
Busca da redução interrupta da ausência

Se fosse a gestão da satisfação,
cogitaríamos solução de convivência boa,
de uma vez por todas.

Não buscaríamos, mais nada.
Conservação do status quo de satisfação.
Uma utopia, ilusão!

Todo desejo satisfeito é extinto.
Ocupado por um novo,
desejo!



Canção do Exílio a Dom Bertrand

Minha terra tem florestas, Onde canta o maraca Os corvos que aqui cacarejam Nem sequer sabem como é lá...
Nosso chão tem mais afouteza, Nossas matas mais fomento Nosso bosques tem mais vida Choram os chamadores, voi a la!
Em cismar, sozinho, à noite Entreguistas, eu encontro-lá Na minha terra tem florestas, mais que o dobro, do que cá!
Em cismar, os entreguistas, em Açores. Mais passarinhos, eu encontro lá; Minha terra tem florestas, Onde cantas, sem charabiá!
Não permita Deus os cabeçorras, Incendeiem mentes ocas por lá, Sem que desfrutem da verdade Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as florestas, Onde um dia andou Tibiriçá


(Homenagem a Gonçalves Dias)