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Casa Gama

Tu já viu aquilo,
que nunca mais vi,
em nenhum, nenhum, nhum, lugar?
                         nhum,
                          hum,
                          hummmmmmm!


Até parece que você anda meio desnudo?

Ausente de motivos fúteis,
                   motivos que tornam,

um grande motivo dinamizado pelo desdém!

(ARCHANGELO, A. Ápeiron, Ed. Buriti, 2019)

Quadro de Tércia da Gama

Comentários

Escolhidas pelos leitores

Broto

Não há somente o que você queira ver, Não há somente o que você queira ser...
Tento falar-te; Tento mostrar-te; Não consigo mais brotar!
Há tudo isso, tudo aquilo e tudo o que confessa. Há a existência que é sublime quanto a grafia do sopro que lhe enche o peito e dilacera tuas paixões.
Há! Somente, há... Hei-de ser, hei-de existir!
Atemoriza-se, atemoriza-se... abstêm-te: esquece a ti mesmo!

Cântico vulgar

Bem mais alto que todas minhas expectativas,
nu estaria em busca de um sentido!
No alto daquela torre,
nos caminhos rente ao mar.
Nos dias de lamentações,
no escuro de um quarto vulgar,
nu estaria em busca de um sentido.

As primeiras notas, sensações taciturnas.
notas carveólicas, frívolas  e irritantes
daquele que nunca foi ou será!


Cynar

Quando desço, padeço, pereço!
Quando leio, esqueço o começo,
sem Cynar...

Quando desço, sento: emudeço!
Tramposeio o beiral da insensatez
dos que buscam a razão, sem ração!

Sem bordeio, sem segredo, sem rodeio: pereço!

Nas rimas imundas apregoadas na cortina do córtex,
na amalgama mistura de sinapses cerebrais,
transcendo-me na penumbra orbicular do absurdo... 



Brasília

A vida pulsa,
No congresso ou em seus palácios,
Na estação, o cordel encantado,
emaranhado de rostos, brasileirice de etnias!

Do perfume da culinária raiz,
do artesanato de resistência,
das gemas reluzente
e do sangue de vossa gente!

De suas avenidas longas, sem calçadas,
De seu concreto imponente, sem gente,
De seus jardins suspensos, sem grito!

Status quo de nossa vergonha,
escondidos famintos, miseráveis, desgraçados,
resilientes residentes!

-Que o governo dê um jeito!

Dorme, este, em mais um domingo,
em berço esplendido.
Enfeitiçado por seu próprio retrato,
na fina lamina de seus lagos,
esculpidos em carrara, Brasília!






Caminheiro

Sentimento taciturno,
absurdamente cítrico,
algazarra midiática,
contumaz e perniciosa!

Caminhando pelos vales de gramíneas,
angiospérmicas relvas verdejantes.
dísticas e alongadas esperanças.

Se tu não foi, não irá;
se irá, não voltarás,
pelo riacho de novidades
nas águas reusadas e inéditas.

Caminhando pelo vales da sombras;
Caminhando pelos vales dos lírios;
Caminhando sobre espécies invasoras;
caminhando inodoramente!


Caminho

Não há literatura sagrada,
Não há modelo perfeito,
Não há, não há, não há.

Não sabes a perfeição, temporariamente;
causal caminho para alma.
Não há, não há, não há.

Você é o caminho
o único caminho
cansado, sonâmbulo, sobrinho.


Três vezes

Tábua da esmeralda cintilar epopeia, Caldeu
No pântano imundo dos que perecem em ti, ó Thoth
Três vezes grande, três vezes!

Na antro, no canto, no santo!
Comigo, contigo e com todos nós!
Três vezes grande, três vezes.

No livro dos mortos,
Interoperar contínuo entre todos os fractais
cintilante experiência, vivência!

Três vezes grande, três vezes!




Prasãda

Consciência d'alma,
tu és o que és
como grandes amigos

Imagens sacras e seculares no divã
não sou minha mente,
não sou meu pensamento.

Prasãda de quimeras indomáveis
Passagem para um mundo indubitável
Estarei junto a ti aqui e ali

Como posso junto a ti, em ti?
Como posso junto a si, em si?
Como posso junto a vos, em vos?




Insatisfação desejante

Amor é desejo, eros.
Desejo é a falta.
A inclinação do homem para o que ele não tem.

Amar é desejar,
desejar é não ter!
Equação macabra!

Ou desejas o que não tem
Ou quando tens o que deseja,
não o desejas mais.

Amor pelo trabalho, no desemprego.
Amor pelo dinheiro, na pobreza.
Amor pela paz, na guerra!

Todos desejantes,
inferência imediata.
Guiados pela insatisfação,
desejante!

Matéria-prima da politica,
gestão do desejo.
Busca da redução interrupta da ausência

Se fosse a gestão da satisfação,
cogitaríamos solução de convivência boa,
de uma vez por todas.

Não buscaríamos, mais nada.
Conservação do status quo de satisfação.
Uma utopia, ilusão!

Todo desejo satisfeito é extinto.
Ocupado por um novo,
desejo!



Poesias

Ás vezes, vomito elas. Em outras, cavo profundamente seu covil semântico!
Ficam coladas no vítrice: o espaço entre minha retina e a massa cinzenta...
E caminham comigo, comem comigo, dormem comigo...
Choram, gritam agridem... Se arrependem!
E como se arrependem...
Outro dia, tropecei em uma, quase dei de cara no chão. É... se conectam como assombrações.