Pular para o conteúdo principal

Postagens

Cântico da busca

Postagens recentes

Poesias

Ás vezes, vomito elas. Em outras, cavo profundamente seu covil semântico!
Ficam coladas no vítrice: o espaço entre minha retina e a massa cinzenta...
E caminham comigo, comem comigo, dormem comigo...
Choram, gritam agridem... Se arrependem!
E como se arrependem...
Outro dia, tropecei em uma, quase dei de cara no chão. É... se conectam como assombrações.

Broto

Não há somente o que você queira ver, Não há somente o que você queira ser...
Tento falar-te; Tento mostrar-te; Não consigo mais brotar!
Há tudo isso, tudo aquilo e tudo o que confessa. Há a existência que é sublime quanto a grafia do sopro que lhe enche o peito e dilacera tuas paixões.
Há! Somente, há... Hei-de ser, hei-de existir!
Atemoriza-se, atemoriza-se... abstêm-te: esquece a ti mesmo!

José

Como a vida é complexa, José!
José, quando perceber... que o que sente,  ele sentes... José, o que te faz sofrer,  faz ele sofrer... 
José, o que aponta e caçoa, são reflexos dos próprios defeitos refletidos nas cristalinas água do outro ser...
Como a vida é complexa, José! José, quando perceber... que o que quer,  ele queres... José, o que te faz feliz,  faz ele feliz... 
Essa dualidade faz com que contemplamos a nossa própria essência.  Deixamos de lado, então,  o complexo da última bolacha do pacote. 
Sim, José! Você não é o centro de todo Universo, E talvez, seja este, o grande objetivo de sua vida.
Amor é o tecido que amalgamará todo seu desprendimento,  irradiando para todos,  a mais pura essência, José!

Pobreza

Não são os grilhões do consumismo que tornam-lhe pobre,não são os desejos da vez; não são os objetivos egoístas; não são...
Se de joelhos, pudesse ver, se de joelhos, pudesse perceber, se de joelhos, pudesse admirar, se de joelhos, veria a:
pobreza de espírito, pobreza cultural, pobreza de preconceito, pobreza de brio... pobreza..
Ao emancipar-se financeiramente, nunca te esqueça de nutrir estes outros aspectos, pois eles lhe perseguirão, e farão de sua vida um ciclo infinito de vazio existencial...

Ataraxia

Vivemos em busca da sombra distorcida do paraíso. 
Como ratos que passam a noite, buscamos alimentos e a procriação...
A noite é passageira,  e vamos ocupar-se dela, a próxima noite...
A noite!  É passageira!
E essa percepção pode enevoar, a existir um caminho de volta,  ou a comunhão como nosso eu,  com nosso universo interno,  que comunga da fonte.
Tais percepções do mundo sensível, ocupam muito tempo deste nosso caminho.
E sair deste ciclo é o desafio, Primeiro ver-se como rato,  depois ver as armadilhas, que ocupam nossos minutos...

Tão Humano!

Numa fria manhã, que fria... toca-me a face os raios aconchegantes do Sol reflito o quão humano pode vir a ser, o homem que dedica-se ao outrem.
Não há, sabe-se, medida de tempo, Há percepção do tempo. E quem, na flor de sua humanidade,  investe tais medidas ao outrem, respira amor, contraria a opressão.
Sem dúvidas as mães, incondicionalmente... Médicos e enfermeiras que podem cumprir o protocolo, mas devem, por vocação, cuidar... Talvez as forças de segurança?
Os pescadores? Os agricultores? E os professores? Dedicam-se todos aos outros...  Nos dois primeiros, podem ignorar o fim, mas ao mestre não, não há mestre sem empatia, não há...
E por mais dura a seja a casca que cria, para proteger-se de teus irmãos, É na sua dedicação ao outro, que será, de fato, revolucionariamente: humano!

Quase

Quase não consigo entender,Quase tudo foi em vão... Quase a incerteza paralisa-me, quase...
Escutando a voz que guia-me, Atravessando, a solavancos, o íngreme terreno, Cá estou eu, junto a ti, e ao silêncio...
O que será? Não sei...


Quarentena

-Já não me recordo como era, diziaAmnésia de hábitos, jeitos, convívios...
Quarentena que cobrou as duras penas dos pecadores que aguardam ansiosos pelo juízo final!
Pelo Coronavírus, fortaleceu o elo com o smartphone,  Enclausurou-se entre futilidades, fugindo do Covid Propagando fake news e falsos afagos, aceitou convite por convite...
Tudo como era antes?
E se perguntavam: -Quanto tempo ainda resta? Enquanto quarava as roupas nos virtuais varais...
Teclando socrocios, quarando os minutos, Que não voltam mais!

Crioulês

Não há em Portugal,nem em toda lágrima que virou sal, de maneira galega ou ligeira,  um português crioulo como o do Brasil!
Não há os gritos de Cunhambebe em Ipanema, Não há a milícia de João Ramalho, peró! Não há gamba zumba, nem a polenta, muita polenta!
Não há português, de Portugal! O que anda por aqui, pelos becos, pelas ruas, é filho seu, porém, rebelde!
Ele anda por Maputo, Luanda, Díli, Macau, mil lugares... A espreita nos guetos, dos insurretos, dos iletrados, dos que derrubaram a realeza na cidade do Porto!
Vive, mas não órfão.  Das mãos surradas de suas várias mães, Das lágrimas escravas e desesperadas...
Vive e evolui, arrebenta a fibra dos lusitanos, que vulgarmente gestaram seu modo de latim!
Talvez seja isso!
Filho destronou o pai, E foi ser gauche na vida!



Desculpa!

De todas as palavras tortas que vos digo,não leve a sério, não cristalize: como dogmas, encrustadas na epiderme d'alma.
Do xingo, da ira, da lavação de roupa suja... Não leve a sério, não leve...
Moribundeadamente, repito os tragos, os goles... das chincalhas que carrego em meu software, atualizado com os vícios da vez.
Não me verás sentado num boteco,  mas gritarei como um bêbado irracional.
Não me verás tragando o tabaco,  mas escarrarei como um fumante.
Lindo,  És o cordão de prata, prende-me aos defeitos de minha versão anterior.
Sou um windows 10, rodando em um 456!



Xênia

Evoco esta lírica que emergiu dos mares galegos, Dos celtas, romanos, árabes: a fusão providencial  Do sangue e da peleja que se assemelha a fúria de Poseidon em chão de Gibraltar...
Se nas gens dos celtiberos, Títio Lívio, em suas notas lembrou entre os rios Ebro e Tinto Huelva, local de abundancia, cartaginenses asseverou.
Ó Senhor, somos, então, celtas? Ó Senhor, somos o que somos, tu que determinou!
A bravura de Hanão, como podes, não evitou: as lâminas de Cipião Calvo, no bucólico cenário,  lusitanos e a Indíbil subjugou mesmo com suplícios de Asdrúbal,  Viriato e Himilcão condenou!
Ó Senhor, somos, então, romanos? Ó Senhor, somos o que somos, tu que determinou!
Em Emérita Augusta, assistiu a queda de César e magna Roma, no apogeu e num futuro que a pax, o visigodo ignorou nas mãos de Rodrigo e Aquilla a lusitânia, por décadas, governou.
Ó Senhor, somos, então, visigodos? Ó Senhor, somos o que somos, tu que determinou!
Sob a ira de Tárique, ex-cativo de Magrebe, o califado muçulmano, em terras lusitana…

Cynar

Quando desço, padeço, pereço!
Quando leio, esqueço o começo,
sem Cynar...

Quando desço, sento: emudeço!
Tramposeio o beiral da insensatez
dos que buscam a razão, sem ração!

Sem bordeio, sem segredo, sem rodeio: pereço!

Nas rimas imundas apregoadas na cortina do córtex,
na amalgama mistura de sinapses cerebrais,
transcendo-me na penumbra orbicular do absurdo... 



Brasília

A vida pulsa,
No congresso ou em seus palácios,
Na estação, o cordel encantado,
emaranhado de rostos, brasileirice de etnias!

Do perfume da culinária raiz,
do artesanato de resistência,
das gemas reluzente
e do sangue de vossa gente!

De suas avenidas longas, sem calçadas,
De seu concreto imponente, sem gente,
De seus jardins suspensos, sem grito!

Status quo de nossa vergonha,
escondidos famintos, miseráveis, desgraçados,
resilientes residentes!

-Que o governo dê um jeito!

Dorme, este, em mais um domingo,
em berço esplendido.
Enfeitiçado por seu próprio retrato,
na fina lamina de seus lagos,
esculpidos em carrara, Brasília!






Fake News

Se antes a disputa era por atos,
pela retórica inabalável,
pela teoria inquebrantável...

Hoje é pelo monopólio de posts,
por fakes, pelo discurso fictício...
Pouco importa a veracidade,
e sim a viralidade!

Se antes a disputa era por visões de mundo,
hoje é pela mentira dita e viralizada.
Das epopeias ou fatos deploráveis...

Rumo ao progresso...






Breu

Plastificadas valsas,
retórica marota,
sentenças cotidiana!

Passeio vulgar,
memórias ao vento,
insaciável método!

Vós terdes-vos esquecido
Esquecêramo-nos!

Eudemonísticos versos
que vós tenhais lembrado
do breu de colofônia

Ácida fuga das rugas
que brotam entre os olhos teus!


Cântico vulgar

Bem mais alto que todas minhas expectativas,
nu estaria em busca de um sentido!
No alto daquela torre,
nos caminhos rente ao mar.
Nos dias de lamentações,
no escuro de um quarto vulgar,
nu estaria em busca de um sentido.

As primeiras notas, sensações taciturnas.
notas carveólicas, frívolas  e irritantes
daquele que nunca foi ou será!


Quarta-feira

Há dias que o mal do mundo acerta-me em cheio,
da anca sem esperança, do moribundo ateu,
dos dias que nem no alto dos Pirineus,
pude contemplar, com inveja, o sucesso alheio...

E assim empurro os segundos que hão de vir,
e assim desejo os pensamentos que se arrastam em arestas,
como um sandeu, vejo com claridade que viverei,
em paralelo mundo, onde os versos marinam minhas ilusões.

E a chuva cai, ela sempre cai,
em dias cinzas, nicotinados,
por esta falta de esperança...

E assim, quando vejo teu sorriso,
atrevo-me a reforçar o status quo,
que perdi desde que a fibra de meu peito
rompeu o vácuo da existência terrena!

Oras, hão de chegar os motivos,
arrastando os passos pelo passeio português,
abarrotado de lixo, imundo da vivência
dos que, como eu, vivem sem a esperança.

E seja assim, como justifica-se,
vivendo o dia como se fosse o último,
a melhor das justificativas dos derrotados...

O âmago vazio, um trago, um pensamento,
consumindo os segundos,
em tarefas tortuosamente repetitivas…

Cartagena

Embebedado estaria em Bogotá,
do néctar que cintilantemente escorria
da nau de sua cova facial.

Os remos do nunca-sei,
de milésimos de afrescos e tangerinas,
respirando os átomos que te enebriam.

Iremos juntos a Cartagena,
girassóis e formóis,
besuntado em cristais do Caribe.

Embebe-me com teu suor,
embebe-me com a certeza
de que, de fato, nunca estaremos lá!

Morra!

Disse-me, rogando pela minha morte.
Rompante risonho que estrilava as superfícies translúcidas,
enquanto jogava o peso corpulento na cadeira estática.

Subiu aquelas escadas como se fosse a última vez,
acenou e desejou, novamente, um fim moribundo.
Luto para não esquecer teu semblante...

O capitão-mor da nau da fanfarronice, eras tu.
Ensinou-me a valorizar cada milésimo de segundo,
deixou-me forte, tenro e friamente insensível.

Subiu aquelas escadas e nunca mais voltou,
seja para esbravejar,
seja para bradar,
Aquelas velhas palavras de ordem.

Morra!

*Homenagem póstuma a Luiz Carlos Martins


Cântico ao desesperançoso

Por teimosia, somente por ela, visito o enterro de minhas quimeras
Últimas evidências químicas natimortas e silenciosamente sombrias
Molécula por molécula,  benzeno por benzeno rogo pela lucidez
Subjugado, estalado indubitável de quando aos prantos ela me deixou...

Centelha cortejada com as licorosas esperanças ajoelhei-me,
desejando, sobremaneira, as cintilantes notas de minha respiração.
E lá estava você, intacta, ignorando solenemente o estrago que fez
Afinal a causa é sentida somente por quem com ferro em brasa ferido foi...

Ao visitar tais lembranças embaraço-me,
padeço-me neste cortejo sem fim,
Semblante sonâmbulo daquele que jaz
E apodrecerá aos pés de quem já se foi...

Salve, Salve, minha gente tão querida

Salve, salve, minha gente querida!
Com a vista turva desse lado do Atlântico vos escrevo,
de um povo heroico e retumbante que de seus heróis esquecera...
Feitiço de Ganga Zumba ou renascimento do néscio-sandeu!

Salve, salve, minha gente querida!
De Cunhambebe, Sepé Tiaraju, Ajuricaba,
E dos rincões de Nheçu se perdeu!
A farsa histórica que mudos ignoram,
no vice-reino do Peru nem se lembram de Tupac Amaru!

Salve, salve, minha gente querida!
Da negritude, nem os irmãos Rebouças, Patrocínio e Luís Gama.
Da feminilidade: Ana Néri, Bárbara de Alencar, Clara Camarão,
Luísa Mahin, Maria Quitéria, Isabel, a redentora, por fim.

Salve, salve, minha gente querida!
No reprisar dos mesmos cantos,
de um povo em agonia sem fim,
Em busca por falsos heróis:
sem caráter, sem feitos, enfim...

Na terra do futuro, clamo dias e noites,
que resgatem a memória assim,
Almejando um digno futuro por fim,
Salve, salve, minha gente querida!






Caminheiro

Sentimento taciturno,
absurdamente cítrico,
algazarra midiática,
contumaz e perniciosa!

Caminhando pelos vales de gramíneas,
angiospérmicas relvas verdejantes.
dísticas e alongadas esperanças.

Se tu não foi, não irá;
se irá, não voltarás,
pelo riacho de novidades
nas águas reusadas e inéditas.

Caminhando pelo vales da sombras;
Caminhando pelos vales dos lírios;
Caminhando sobre espécies invasoras;
caminhando inodoramente!


Insatisfação desejante

Amor é desejo, eros.
Desejo é a falta.
A inclinação do homem para o que ele não tem.

Amar é desejar,
desejar é não ter!
Equação macabra!

Ou desejas o que não tem
Ou quando tens o que deseja,
não o desejas mais.

Amor pelo trabalho, no desemprego.
Amor pelo dinheiro, na pobreza.
Amor pela paz, na guerra!

Todos desejantes,
inferência imediata.
Guiados pela insatisfação,
desejante!

Matéria-prima da politica,
gestão do desejo.
Busca da redução interrupta da ausência

Se fosse a gestão da satisfação,
cogitaríamos solução de convivência boa,
de uma vez por todas.

Não buscaríamos, mais nada.
Conservação do status quo de satisfação.
Uma utopia, ilusão!

Todo desejo satisfeito é extinto.
Ocupado por um novo,
desejo!



Exortação

Aos bons homens, inspirados por
Almeida Garret a Andrada e Silva
José do Patrocínio e Princesa Isabel

Aos homens de Ítaca
assistem, sem escrúpulos,
homens que enriquecem
em detrimento a cousa pública
sindicatos, lojas, órfãos da moral

Que misturam retidão a amantes
direito social a apadrinhamento de confrades

Doutores enfadonhos milionários
a margem da lei, da moralidade, da ética
dos interesses mesquinhos,
partidários, eleitorescos e sindicais.

De estágios com paternidade,
de comissionados, sem capacidade.
de diretores, sem dignidade.
supersalários a abastados...

A Gregório de Matos, concordo,
o que falta é vergonha!
Aos opositores, moral.
Aos paladinos das regras, capacidade.

As amantes que contenham os falastrões.
Abaixo-assinados manchados pela desonra
A massa-manobra, o fardo
gado, gadu, grosserias!


Três vezes

Tábua da esmeralda cintilar epopeia, Caldeu
No pântano imundo dos que perecem em ti, ó Thoth
Três vezes grande, três vezes!

Na antro, no canto, no santo!
Comigo, contigo e com todos nós!
Três vezes grande, três vezes.

No livro dos mortos,
Interoperar contínuo entre todos os fractais
cintilante experiência, vivência!

Três vezes grande, três vezes!




Prasãda

Consciência d'alma,
tu és o que és
como grandes amigos

Imagens sacras e seculares no divã
não sou minha mente,
não sou meu pensamento.

Prasãda de quimeras indomáveis
Passagem para um mundo indubitável
Estarei junto a ti aqui e ali

Como posso junto a ti, em ti?
Como posso junto a si, em si?
Como posso junto a vos, em vos?




Eu

És teu templo, tua morada, tua luz
És teu Deus, teu atma, teu discípulo.
Teu caminho, tua verdade, tua luz.

Vitrice sombrio kármico,
quântico atma para a graça,
receptiva personalidade em malkuth

Veículo uníssono desta epopeia
auto-reflexão e conhecimento
rezas, orações e mantras hindus

És tudo-nada
És tudo-graça
És tudo-darmico

Teu caminho, verdade e luz!




Caminho

Não há literatura sagrada,
Não há modelo perfeito,
Não há, não há, não há.

Não sabes a perfeição, temporariamente;
causal caminho para alma.
Não há, não há, não há.

Você é o caminho
o único caminho
cansado, sonâmbulo, sobrinho.


Tudo que é eterno

Tudo que não é eterno é ilusão
Realidade é aquilo que não muda
Tudo que é eterno

Personalidade acaba
Tudo que você aprendeu
armazenado na alma

O resto é ilusão, maya
Alma que cresce, evolui
a personalidade evolui

Tudo que não é eterno é ilusão
Realidade é aquilo que não muda
Tudo que é eterno.



Trilogia de poemas nonsense para todo Brasil

A trilogia de poemas nonsense já está disponível para todos:


https://www.amazon.com.br/Nheengatu-Poesias-Nonsense-Antonio-Archangelo/dp/1694586251/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&keywords=Nheengatu%3A+Poesias+Nonsense&qid=1569586190&s=digital-text&sr=1-1-catcorr


https://www.amazon.com.br/%C3%81peiron-Poesias-Nonsense-Antonio-Archangelo-ebook/dp/B07WK7P6LW/ref=sr_1_2?qid=1569586151&refinements=p_27%3AAntonio+Archangelo&s=digital-text&sr=1-2&text=Antonio+Archangelo

https://www.amazon.com.br/Homeomerias-Poesias-Nonsense-Antonio-Archangelo/dp/1689161701/ref=tmm_pap_title_0?_encoding=UTF8&qid=1569586151&sr=1-3



Retambana de pesares

A direita, corrupção
A esquerda, socrócios
Ao centro, negócios

Retambana de pesares

No bairro, sequestro
Na fila, tambores
Na Câmara, favores

Retambana de pesares

Conservadores, paspalhos,
Progressistas, otários
Bonafacistas, cansados

Retambana de pesares

Comunismo, continuísmo
Capitalismo, senhores
Anarquismo, sem cores

Retambana de pesares.

Se há negócios, socrócios, corrupção,
Pedidos, favores, cabrestos e senhores
Se na taba, não há mais nada.

Retambana de pesares

Bar do Bitoco (texto para stand up)

Sair com os amigos do trampo é uma aventura.

Todo mundo quebrado e um rodízio de estabelecimentos bizarros.

Estes dias fomos no Bar o Bitoco e juro, tinha um torresmo que parecia a unha do Zé do Caixão. Aquele negócio envergado e uns pelos crocantes por cima. E para quem gosta mesmo...

Tipo a religião do Torresmo.

No boteco do Salsicha, o Hyago queria almoçar um ovo de codorna em conserva.

Juro, a água estava verde. Mas de acordo com ele, vinagre não estraga, vira vinho. Quando mais verde, mais puro.

O cara comeu pelos menos uns três. Aí, tem nego que não sabe porque ele vive no banheiro durante o expediente.

O pior foi lá na lanchonete Hot, "onde os canais adultos não tem senha", salsicha frita a vontade. Lá na quebrada não tem  slogan, lá é slogo memo.

Levemos o guardinha, o moleque é da quebrada, come como um servente de pedreiro.

No fim é aquela correria, mas ninguém passa fome.

por isso sempre é bom legar um di menor.





Revolta do Feijão

Nem a burocratização do departamento impediu a discussão sobre o desejo incontrolável de Antonio em relação ao feijão, o qual chamava de diamante marrom. Em pequenos espaços de diálogo entre ele e a equipe, o assunto emergiu como uma ato religioso em que defendia que sua vontade era, tão somente, de estar nu e rolando sobre as reluzentes sementes num dia de sol.





Queria, na verdade, é estar junto de bom punhado de feijão cozido, embebedado com seu caldo espesso e saboroso num dia de sol para que pudesse ver os raios solares endurecerem sobre minha pele a sua parte líquida e a formação de uma camada desidratada tentando sequestrar o entorno de meu corpo…





Dia após dia, o assunto do feijão pairava sobre as almas calejadas e cansadas dos trabalhadores do departamento. Ele era o chefe da seção fazia poucos meses. Como um vendaval, virou a rotina burocrática, pálida e escravizante de seus subalternos de cabeça para baixo. Era assim que ele via: maximizando a burocracia estatal para conter a s…

Canção do Exílio a Dom Bertrand

Minha terra tem florestas, Onde canta o maraca Os corvos que aqui cacarejam Nem sequer sabem como é lá...
Nosso chão tem mais afouteza, Nossas matas mais fomento Nosso bosques tem mais vida Choram os chamadores, voi a la!
Em cismar, sozinho, à noite Entreguistas, eu encontro-lá Na minha terra tem florestas, mais que o dobro, do que cá!
Em cismar, os entreguistas, em Açores. Mais passarinhos, eu encontro lá; Minha terra tem florestas, Onde cantas, sem charabiá!
Não permita Deus os cabeçorras, Incendeiem mentes ocas por lá, Sem que desfrutem da verdade Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as florestas, Onde um dia andou Tibiriçá


(Homenagem a Gonçalves Dias)


Ápeiron disponível na Amazon

Já está disponível para venda o e-book e livro físico Ápeiron: Poesias Nonsense, do poeta Antonio Archangelo. Através no Kindle e da Amazon, disponibilizamos as duas versões para os Estados Unidos e países europeus, confira:



Segue os links para aquisição:

Estados Unidos

E-book
Capa Comum

Alemanha

E-book

Reino Unido

E-book

França

E-book

Espanha

E-book

Itália

E-book

Brasil

E-book
Capa Comum

Último respiro

Antes que minhas vistas escureçam, talvez; Antes que a última lembrança seja condensada pela valsa-química cerebral, talvez; Antes de sentirem minha falta, talvez; Esteja lúcido para lhe dizer o quão bem vivi.
Antes, talvez, que seja tarde; escrevo a vós filhos do amoníaco e alcaloides, que vivi o quão são que pude, vê-los, cada olhar, cada universo de segredos.
Antes, que a última nota arrebente minha lucidez, que a amargura aflija minhas notas alveólicas que minha carne seja sepultada nesta terra vérmica.
Sinapses mórbidas e doloridas, por saber que nunca muda, nada muda e não mudarás no pretérito perfeito de suas vulgaridades
de vossa essência, meu único amigo, eu.


Escatologia da Primavera

Estava-lá pálida, estática, boquiaberta
Muda, só resmungou quando ameacei ir embora intimamente ligada ao meu "Eu" e calada Aguardou, até o último suspiro, as mágoas de quem nunca conheceu, de fato
Ingratidão, és sua simbólica figura Insurreta, a espreita, fadada ao destino Incrédula, nunca pensou ou teve fé Afinal, nessas condições quem teria?
Dia após dia, minutos após minutos sacramento após sacramento Fria, deixou a vida me  escoar
Nutrindo o carbono condensado, fomentando novas vidas terráqueas tecendo, sem receio, o minério
que esconde a gematria sagrada.


Poema selecionado na coletânea da EHS

O poema Ósculo foi um dos selecionados para a Coletânea da editora EHS.

Confira:

Blog: EHS EDIÇÕES 
Postagem: Lista dos Autores Selecionados na Coletânea Poemas Contemporâneos 
Link: https://ehsedicoes.blogspot.com/2019/08/lista-dos-autores-selecionados-na.html


Genealogia dos fracos

O que salva-me são os poemas, arte de traquinar com palavras avulsas Lutando contra a genealogia dos fracos, a democracia dos otários-manias
O que salva-me é a busca pela Ilíada, epopeia rupestre, terrestre e duradoura Lutando contra a organização dos fracos, aborrecidos na confecção de tua moral
E no trinar dos dias, no dia da passagem da vida terrena, os fracos esperarão afoitos e esperançosos a transcendência, E se caso ela vier, acordarão como fracos em uma nova existência
E assim, a genealogia da moral do sindicato dos fracos, continuará traçando regras contras as forças ativas em outras orbes
O que resta aos oprimidos é a arte d'onde o fraco jamais alcançai-vos.



Necrochorume

O muro de onde escorre  o caldo nutritivo da vida eterna D'onde estão exilados  miseráveis da vida terrena
Sob os fechados lábios da sabedoria  e ouvidos do entendimento
Meu fúnebre cortejo irreparável  natimorto de esperança, moribundo pestilento  arrastando-se na última peleja
Incrustado de ilusões,  mentiras e traições...
Com o triste fim de Policarpo e Jasmim, flores com cheiro de morte  que brotam em meu jardim
Carregando, comigo, 
as licorosas frustrações desta vida


Ode a Tupã

É tão somente na natureza,
que o homem encontra-se  O silêncio ensurdecedor, no marasmo agitador, as invisíveis barreiras se dilaceram
As ilusões se corroem e o instinto de sobrevivência domina, nas mudas frases verdejantes, no zumbido impetrante
Ouvirás, então, o menino que grita dentro de si Longe das sirenes, da poluição, do consumo e da coerção
No cenário rupestre que se esvai, as ilusões ditadoras do dia-a-dia,
como dirá, a ninguém, Nhanderuvuçu.