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Fake News

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Se antes a disputa era por atos,
pela retórica inabalável,
pela teoria inquebrantável...

Hoje é pelo monopólio de posts,
por fakes, pelo discurso fictício...
Pouco importa a veracidade,
e sim a viralidade!

Se antes a disputa era por visões de mundo,
hoje é pela mentira dita e viralizada.
Das epopeias ou fatos deploráveis...

Rumo ao progresso...






Breu

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Plastificadas valsas,
retórica marota,
sentenças cotidiana!

Passeio vulgar,
memórias ao vento,
insaciável método!

Vós terdes-vos esquecido
Esquecêramo-nos!

Eudemonísticos versos
que vós tenhais lembrado
do breu de colofônia

Ácida fuga das rugas
que brotam entre os olhos teus!


Cântico vulgar

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Bem mais alto que todas minhas expectativas,
nu estaria em busca de um sentido!
No alto daquela torre,
nos caminhos rente ao mar.
Nos dias de lamentações,
no escuro de um quarto vulgar,
nu estaria em busca de um sentido.

As primeiras notas, sensações taciturnas.
notas carveólicas, frívolas  e irritantes
daquele que nunca foi ou será!


Quarta-feira

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Há dias que o mal do mundo acerta-me em cheio,
da anca sem esperança, do moribundo ateu,
dos dias que nem no alto dos Pirineus,
pude contemplar, com inveja, o sucesso alheio...

E assim empurro os segundos que hão de vir,
e assim desejo os pensamentos que se arrastam em arestas,
como um sandeu, vejo com claridade que viverei,
em paralelo mundo, onde os versos marinam minhas ilusões.

E a chuva cai, ela sempre cai,
em dias cinzas, nicotinados,
por esta falta de esperança...

E assim, quando vejo teu sorriso,
atrevo-me a reforçar o status quo,
que perdi desde que a fibra de meu peito
rompeu o vácuo da existência terrena!

Oras, hão de chegar os motivos,
arrastando os passos pelo passeio português,
abarrotado de lixo, imundo da vivência
dos que, como eu, vivem sem a esperança.

E seja assim, como justifica-se,
vivendo o dia como se fosse o último,
a melhor das justificativas dos derrotados...

O âmago vazio, um trago, um pensamento,
consumindo os segundos,
em tarefas tortuosamente repetitivas…

Cartagena

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Embebedado estaria em Bogotá,
do néctar que cintilantemente escorria
da nau de sua cova facial.

Os remos do nunca-sei,
de milésimos de afrescos e tangerinas,
respirando os átomos que te enebriam.

Iremos juntos a Cartagena,
girassóis e formóis,
besuntado em cristais do Caribe.

Embebe-me com teu suor,
embebe-me com a certeza
de que, de fato, nunca estaremos lá!

Morra!

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Disse-me, rogando pela minha morte.
Rompante risonho que estrilava as superfícies translúcidas,
enquanto jogava o peso corpulento na cadeira estática.

Subiu aquelas escadas como se fosse a última vez,
acenou e desejou, novamente, um fim moribundo.
Luto para não esquecer teu semblante...

O capitão-mor da nau da fanfarronice, eras tu.
Ensinou-me a valorizar cada milésimo de segundo,
deixou-me forte, tenro e friamente insensível.

Subiu aquelas escadas e nunca mais voltou,
seja para esbravejar,
seja para bradar,
Aquelas velhas palavras de ordem.

Morra!

*Homenagem póstuma a Luiz Carlos Martins